Apartamento Jequitibá

O projeto deste apartamento começou muito antes da entrega das chaves. Os clientes adquiriram o imóvel ainda na planta, quando a construção do empreendimento sequer havia sido iniciada, o que possibilitou um processo longo e cuidadoso de planejamento. Desde as primeiras etapas, o escritório acompanhou o desenvolvimento da unidade, realizando alterações de planta, especificações de materiais e diferentes personalizações para que o apartamento fosse verdadeiramente adequado ao estilo de vida do casal. O ponto de partida foi um briefing detalhado, no qual buscamos compreender não apenas as necessidades funcionais dos moradores, mas também as sensações, memórias e referências que desejavam trazer para sua futura casa. Entre os desejos apresentados, estava a criação de uma atmosfera inspirada na hotelaria, especialmente em hotéis localizados na Bahia que o casal costuma frequentar e pelos quais possui grande apreço. Esses lugares têm em comum uma arquitetura acolhedora, ligada à paisagem, com materiais naturais, ambientes despretensiosamente sofisticados e uma forte identidade brasileira. Assim, uma das principais premissas do projeto foi transportar parte dessa experiência para o cotidiano dos moradores, traduzindo referências de brasilidade, natureza, conforto e hospitalidade em uma residência permanente. Mais do que reproduzir a estética de um hotel específico, o objetivo foi compreender aquilo que encantava o casal nesses destinos: a possibilidade de desacelerar, a proximidade com a natureza, a integração entre interior e exterior e a sensação de estar em um espaço ao mesmo tempo sofisticado, leve e acolhedor.
Essa intenção também dialogava diretamente com a localização do empreendimento, em Cacupé, Florianópolis. O bairro possui uma presença marcante da natureza, com muitas árvores, pássaros e uma atmosfera mais tranquila, além da proximidade com o mar. O projeto, portanto, buscou estabelecer uma relação sensível com esse contexto, criando um apartamento que tivesse mais a atmosfera de uma casa próxima à natureza do que a de uma unidade convencional em um edifício.
O layout da área social foi desenvolvido a partir dos hábitos do casal. O marido gosta muito de cozinhar, especialmente quando recebe amigos e familiares, e a cozinha precisava participar ativamente desses momentos. Em vez de ser tratada como um ambiente de serviço isolado, ela foi posicionada no centro da convivência. O escritório desenhou uma grande ilha para organizar o preparo dos alimentos e servir como ponto de encontro. Acoplada a ela, foi criada uma mesa de jantar também desenhada especialmente para o projeto. A mesa abraça a ilha e forma uma única composição, aproximando os convidados de quem está cozinhando e tornando esse momento parte da experiência social da casa. Com dimensões generosas, a mesa permite acomodar diferentes convidados e responde ao desejo dos moradores de receber com frequência. Assim, cozinha, jantar e estar funcionam de maneira integrada, sem que cada atividade perca sua identidade. Como a cozinha está inserida diretamente no ambiente social, a marcenaria foi projetada para possibilitar diferentes cenários de uso. Painéis e portas permitem ocultar elementos como o espaço do café, os fornos, o micro-ondas e outros eletrodomésticos quando não estão sendo utilizados. Em momentos de recepção, a cozinha pode assumir uma aparência mais limpa e discreta, quase como uma extensão da marcenaria do living. Já durante a rotina cotidiana ou o preparo de refeições, os equipamentos e apoios podem permanecer expostos, tornando o uso mais prático e funcional. Essa possibilidade de alternar entre abertura e ocultação permite que o apartamento se adapte aos diferentes momentos da vida dos moradores, conciliando organização visual, funcionalidade e convivência.
Outra alteração significativa foi feita no forro da área social. No projeto original da construtora, o forro de madeira estava previsto apenas para a varanda. A partir da proposta do escritório, esse revestimento foi prolongado para o interior do apartamento, cobrindo todo o living e criando um plano contínuo entre os espaços internos e externos. Essa continuidade material reduz visualmente os limites entre sala e varanda e fortalece a percepção de que os ambientes pertencem a um mesmo conjunto. A madeira acrescenta aconchego, aproxima o apartamento da escala de uma casa e reforça a presença da natureza na composição. A materialidade natural também está presente na marcenaria, revestida em lâmina de madeira natural de jequitibá. Escolhida por sua tonalidade acolhedora, textura marcante e elegância, a madeira aparece em diferentes ambientes e contribui para criar unidade entre os espaços. Sua presença tornou-se tão representativa para a identidade do projeto que acabou dando origem ao nome Apartamento Jequitibá. A relação entre o forro de madeira, a marcenaria em lâmina natural de jequitibá, o piso de travertino romano bruto e as bancadas em quartzito Taj Mahal estabelece a base material do projeto. São elementos naturais, de tonalidades quentes e complementares, que dialogam entre si por meio de suas diferentes texturas, trazendo profundidade, aconchego e identidade aos ambientes.
 
A área externa é um dos principais diferenciais do imóvel e ocupa um papel central no projeto. Mais do que um espaço complementar, a varanda foi concebida como uma continuação da área social e como um dos ambientes mais importantes para o cotidiano do casal. No espaço da churrasqueira, foi criada uma segunda ilha, oferecendo apoio para o preparo e o serviço dos alimentos. Dessa forma, os moradores também podem cozinhar e receber convidados na área externa, sem depender constantemente da cozinha interna. A varanda conta ainda com um lounge pensado para momentos de descanso e convivência. No centro da composição, uma mesa com lareira integrada permite que o espaço seja utilizado de forma confortável também em dias mais frios. Quando a lareira não está em uso, o mesmo elemento pode funcionar como champanheira, assumindo uma nova função de acordo com a ocasião. Esse ambiente foi pensado tanto para encontros com amigos quanto para momentos mais íntimos do casal. É um espaço para cozinhar, conversar, contemplar a paisagem e aproveitar a atmosfera natural de Cacupé. A continuidade do forro de madeira e a relação visual com o living reforçam a sensação de que interior e exterior fazem parte de uma única experiência.